Vinho sem safra?!

Muitos me perguntam se vinho sem safra é realmente bom, isso porque nem todos têm safra.

Para entender melhor, antes de tudo, precisamos saber um pouquinho sobre o que é safra. Vamos lá?


Safra é o ano em que são colhidos os frutos, em nosso caso, as uvas.  Ela é importante para determinar e comparar as variações climáticas com outros anos, principalmente quando a região tem muitas variações. Uvas plantadas nos mesmos lugares e nas mesmas vinhas, podem, portanto, apresentar características diferentes.
Se a safra de um ano apresentar condições ideais e perfeitas, terá grandes chances de produzir vinhos de qualidade superior, já uma outra safra que recebeu muitas chuvas pode comprometer muito a característica final do vinho, deixando o suco muito diluído.
Quando dizemos que o vinho não tem safra, significa que ele não tem um ano de colheita  específico. O produtor pode simplesmente colher em diversas safras, produzir o vinho e deixar tudo guardado em grandes tanques e somente no futuro misturar e engarrafar.

Vinho sem safra não significa que o vinho seja de má qualidade. No mercado, é possível encontrar muitos vinhos econômicos ou de alta gama, sem safra!

Para você entender melhor, em muitos locais, é comum a prática de comercialização apenas das uvas, como também apenas o mosto, ou o vinho pronto, para outros produtores que os engarrafam. Quando este produtor compra uvas ou vinhos da mesma safra, o vinho pode vir com a safra indicada, caso contrário, ele será ‘não safrado’.
Produtores que buscam vinhos econômicos costumam comprar destes pequenos produtores, fazendo um blend (mistura) de uvas e safras, o que os possibilita economizar em seu processo produtivo, deixando o vinho com um preço bem mais em conta.

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Alguns produtores apenas se preocupam com o preço, outros fiscalizam os locais e dão suporte durante a colheita, então, antes de comprar um vinho econômico sem safra, procure saber mais do produtor, para assim saber a qualidade do vinho. Geralmente são vinhos para o dia-a-dia.
Em contrapartida, existem os vinhos de alta gama também sem safra indicada, em que o produtor durante as melhores safras reserva uma quantidade, e no final cria um vinho espetacular, podendo ser Blend ou Varietal (única uva).


Em Champagne isso acontece também! A maioria dos Champagnes são “NV” (non-vintage), ou seja, sem safra, mas por vários fatores. O território de Champagne já é muito pequeno e a condição climática delicada e existem diversos proprietários com pedaços muito pequenos de terra, impossibilitando que em apenas uma safra, saia uma quantidade satisfatória para produzir um lote.. Desta forma eles produzem e guardam, outros produtores apenas produzem para comercializar o vinho ou as uvas.
Pela oferta, demanda e clima, a região por si só se torna mais cara, e a legislação de Champagne sabendo destas dificuldades aceita essa prática de comercializar para grandes produtores em busca de manter a qualidade padrão, já que as safras nem sempre são iguais.

Hoje existem diversos estilos de vinhos que não são safrados propositalmente, entre eles:  Champagne,  vinho do Porto e Jerez.
Resumidamente, não podemos fadar o vinho por ter ou não safra.
Sugestão do Diário do vinho: saiba mais do produtor e deguste sem preconceito.

😊

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