Quem nunca combinou queijo e vinhos? Quem vê, pensa que é fácil harmonizar, mas cuidado que nem todo queijo harmoniza com qualquer vinho.

E se você é que nem eu e adora variar, que tal provar algumas combinações também com Brancos e Rosés e deixar um pouco os tintos de lado? rs

Para nos ajudar nessa missão e não errar na hora da harmonização, convidei o David Alves, um grande amigo Sommelier e Fromager – yes, um especialista em vinhos e queijos.

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Confira as dicas que ele nos deu com alguns dos queijos mais consumidos em nosso dia a dia e como harmonizá-los:

Queijos Duros

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Exemplos: Grana Padano, Parmeggiano-reggiano,Parmesão, Pecorino Romano.

Queijos duros são aqueles que passam por um processo de maturação mais longo tornando-o firme e granulado com o tempo. Sua produção é feita em formas maiores que as demais. Alguns queijos duros ficam anos maturando antes de irem de fato ao mercado – tempo ideal para alcançarem seu melhor.

Os tintos ideais para harmonizarem são os mais robustos, encorpados e que passam por mais tempo em barrica, tais como os famosos Brunellos, Barbarescos, do Porto, Madeira e para os apreciadores até mesmo o Jerez.

Uma dica de expert: coloque um pouco de aceto balsâmico em um pedaço de parmesão que hummmm… ficará incrível!

Queijos Semiduros

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Exemplos: Gruyére, Gouda,Édam, Maasdam,  Emmental,  Cheddar.

Você conhece o desenho da Disney Tom & Jerry? Bom, o ratinho Jerry vive roubando aquele queijo todo furadinho. Estes furinhos são conhecidos como olhaduras, vindas de um processo de fermentação chamada propiônica. Essa fermentação traz uma característica adocicada com sabores de nozes e algumas vezes de amêndoas. Eles são maturados por um tempo menor que os queijos duros. Os vinhos indicados para este tipo de queijo são de corpo leve e frutadinhos, como Dolcetto e Pinot Noir, podendo até arriscar um Merlot com passagem por barrica.

Nos brancos e rosés, o sabor amendoado e levemente adocicado do queijo harmoniza muito bem com um Chardonnay mais encorpado como os produzidos na América do Sul, mais especificamente no Chile e Argentina. Nos rosés, opte sem medo pelos minerais, eles ficam ótimos!

Queijos macios (casca branca)

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Exemplos: Camembert, Brie, Brillat-Savarin.

Você já deve ter visto nos mercados e empórios aqueles queijos que têm aquela casquinha branca, que nada mais é que um tipo de mofo, produzido por um bolor chamado “penicillium candidum”. Essa camada promove a maturação de fora pra dentro, trazendo essa característica cremosa no centro e um sabor mais amanteigado.

Harmonização: opte por um Beaujolais Noveau, ou uvas como Gamay, Pinot Noir ou ate um Merlot jovem. Lembre-se, fuja dos taninos para estes tipos de queijos.

Sendo macios pelo sabor amanteigado, no caso de Brancos e Rosés, o ideal é optar por um espumante, ou melhor, um Champagne! Mas se preferir fugir das bolinhas, sugiro um Chardonnay fresco, como o Chablis, Pinot Blanc, Riesling, ou ate mesmo um Rosé típico das regiões dos queijos 😉

Queijos de massa filada

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Exemplos frescos: Muçarela,Caccio Cavalo fresco, Nozinho,  Provolone fresco.
Exemplos maturados: Caccio Cavalo maturado,  Provolone maturado, Queijo tipo trança maturado

Quem nunca comeu ou ouviu falar em Muçarela – um dos queijos mais famosos de massa filada? Massa filada? É, rs, isso mesmo. É um processo que consiste em colocar a massa acidificada em água quente, que por sua vez aquecida, se torna totalmente maleável e pode ser puxada e esticada formando um queijo elástico e resistente. Para esses queijos,existem dois tipos: os frescos e maturados. Para os frescos são indicados tintos leves, com acidez levemente presente, como Merlot, Pinot Noir (regiões frias) ou um Barbera leve de entrada. Para os Maturados, são indicados tintos de corpo médio, tais como um Bordeaux, Carmenére, Cabernet Sauvignon ou Cabernet Franc.

Para vinhos brancos e rosés, o casamento perfeito são os mais jovens e refrescantes como o aromático Chablis (Chardonnay) ou um Sauvignon Blanc de Loire – de preferência orgânico! E por que não um levíssimo frisante? Essa harmonização é sucesso na certa. Agora, se você não abre mão dos queijos de massa filada frescos, como Muçarela e Nozinho, a dica é harmonizá-los com vinhos brancos e rosés mais ácidos da Europa: Alsácia, Austria e Alemanha.

Queijos Azuis

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Exemplos: Roquefort, Gorgonzola, Dambo,Blue Stilton, Bleu D’Auvergne.

Os queijos azuis sofrem o processo de maturação através do bolor “penicillium roquefort”, que dentro do queijo, não na superfície, se alimentam de oxigênio. O mais famoso é o tal do Roquefort. Feito de leite de ovelha e maturado nas cavernas da cidade que levam o nome do queijo: Roquefort, na França.

A harmonização mais famosa para este tipo de queijo é o vinho de sobremesa, já que a mistura do dulçor da bebida ao sabor picante do aperitivo gera um resultado triunfal. Boas opções são Porto, Madeira, Jerez, Late Harvest, Tokaj, Sauternes e Moscatel de Setúbal .

Já  ouvi muito por aí que os queijos azuis podem acabar com o sabor de qualquer vinho branco ou rosé, o que não é mentira. Esses queijos possuem sabores muito marcantes, mas harmoniza-los não é impossível! Que tal combiná-los com algumas frutas como pera e maçã, para dar uma leve equilibrada no paladar? Desta forma, conseguimos quebrar esse sabor potente, tornando possível harmoniza-los com brancos ou até um delicioso vinho de sobremesa tanto de colheita tardia como botritizados. Aqui vai uma infalível: Roquefort com um Tokaji.

Se tiver dúvida lembre-se: tintos encorpados pedem queijos fortes, tintos leves pedem queijos delicados. Nos vinhos brancos e rosés a dica é: queijos com sabores muito fortes devem ser combinados com algumas frutas, até mesmo um belo damasco seco, para que seja possível brincar com os brancos e rosés sem limite : )

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