O tamanho, o tipo e o material realmente importam?

Tamanhos, formas e o material que as taças são feitas podem fazer uma grande diferença na hora de beber um vinho. Você sabe o porquê?

Veja que interessante!

Para conseguir extrair o máximo de algum vinho, existem algumas regras básicas que devemos respeitar. Alguns destes detalhes podem ser importantíssimos quando o assunto é entender perfeitamente o que o vinho tem a nos oferecer.

  • O vinho foi bem armazenado?
    Se não foi, quando aberto, a possiblidade de não estar bom é muito grande.
  • Ele está na temperatura ideal para ser servido?
    Se não estiver, há grandes chances do vinho esconder suas notas ou até mesmo passar uma impressão oposta.
  • É necessário decantar?
    Sábias palavras de um dos meus professores do curso que fiz de Sommelier:

a decantação pode enobrecer ou aniquilar o vinho.

Alguns vinhos realmente precisam de uma ajudinha para poder abrir suas notas. Nestes casos, a decantação é recomendada. Se não a fizer, talvez você não aproveite ao máximo o que ele possa lhe oferecer. Por outro lado, há vinhos que não devem ser decantados, pois já estão prontos para consumo logo que abertos. Se ainda assim você decantá-lo, muito provavelmente estará matando suas notas e subtraindo qualquer expressão que ainda resta no vinho.

  • O vinho está sendo servido de forma correta e na taça correta?
    O conceito básico é que o tipo do vinho define o tipo de taça, sua forma e seu tamanho. Lembrando que não é por que não temos a taça perfeita ou o material perfeito que o vinho vai ficar ruim, não! Simplesmente não será possível atingir seu máximo.

Quando bate a vontade até em copo descartável eu bebo! :) rs

Décadas atrás descobriram que o mesmo vinho servido em diferentes taças, acabava mudando os seus aromas e seus sabores. Um vinho frutado e floral pode aparentar ser alcoólico ou vegetal já que em outras taças seu gosto também pode mudar, deixando-o mais equilibrado ou com algumas arestas.

Faça um pequeno teste em casa, pegue o mesmo vinho e sirva-o em diferentes taças: de espumante, agua, vinho tinto e vinho branco, e perceba as características, como elas podem variar. Pode até fazer isso com a temperatura, pois o mesmo vinho, em temperaturas diferentes se mostra outro.

Vinhos tintos, geralmente, necessitam de taças maiores, já os brancos, de tamanhos intermediários, influenciando na intensidade dos aromas. A forma colabora com a expressão aromática que é enviada para a nossa boca. Em um vinho com acidez moderada, a preocupação é de que o líquido vá diretamente para o centro da língua. Repare que alguns modelos de taças, ao bebermos, nos fazem levantar mais a cabeça do que os outros, levando o vinho para diferentes partes da língua. Taças com bocas mais abertas, além dos aromas dispersarem, podem fazer com que o vinho seja enviado para as laterais da língua, acentuando sua acidez.

Em relação ao material, sem dúvida, o melhor é o cristal, pela sua fineza, acabamento e transparência, além de não intervirem no aroma. Cores ou gravuras não são adequadas, já que o primeiro contato que temos com o vinho é o visual e ele já pode nos dar uma boa a dica do que está por vir.

O cristal permite que os aromas da bebida fiquem mais evidentes. Isso se dá pela presença e teor de chumbo (até 24%), metal utilizado em sua produção. O chumbo torna a espessura da taça mais fina, além de deixá-la delicada e com leveza. A porosidade do cristal também influencia, uma vez que as moléculas do vinho quebram-se no choque com a parede áspera da taça, liberando uma maior concentração de aromas .

Uma taça adequada pode fazer toda a diferença em um vinho, acentuando o equilíbrio de suas características, mas não transforma um vinho de baixa qualidade ou com defeito em um bom vinho.

Momento curiosidade: foi criada, por volta de 1970, uma taça normalizada para degustação, que hoje é utilizada por todos os degustadores do mundo, a fim de que um mesmo vinho possa ser avaliado da mesma forma em diferentes lugares.

Confira agora os 4 tipos básicos de taça:

Types-of-Wine-Glasses-Chart

  • Para vinho tinto
    Precisam ter espaço para que sejam percebidas todas as suas qualidades. A taça é mais alta e com o bojo maior. Por precisar de espaço para destacar suas características, é aconselhável que não encha muito a taça, para que a bebida possa aerar e abrir, destacando todas suas qualidades.
  • Para vinho espumante
    Quando pensamos em espumante, o que nos vem à mente? As famosas borbulhas e a espuma (coroa) que neste caso chamamos de “perlage”. Sua taça deve manter essas borbulhas por mais tempo, direcionando os aromas para o nariz, com seu corpo fino e alongado até o final, estimulando as “perlages” e concentrando seus aromas. A taça utilizada é a “flute“.
  • Para vinho branco
    Um pouco menor do que a taça para tintos, para que o branco seja servido em uma menor quantidade e numa temperatura mais baixa. Sendo menor, o calor externo terá pouca influência na bebida. Uma taça de vinho branco é também indicada para vinhos rosés. Lembrando sempre em respeitar a temperatura ideal de cada tipo.
  • Para vinho doce
    A região de nossa língua onde sentimos o açúcar fica na ponta, e para que a bebida seja conduzida diretamente para este ponto, a taça mais baixa e com o bojo menor que a de vinho branco é a indicada. Como a concentração de açúcar está atrelada à quantidade de álcool nos vinhos finos doces, a quantidade a ser servida será menor.

Tomar vinho é ou não uma arte? Brindemos a esse mundo que tanto nos encanta. :)

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